A Umbanda pelos kardecistas- uma nova visão

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Existe ainda muita divergência sobre o surgimento da Umbanda. Há quem busque situar seu nascimento há milhares de anos nos templos de civilizações extintas. Há também quem coloque a religião como uma herdeira do candomblé de Angola e de caboclo, expressões religiosas dos escravos brasileiros, antes da República.

A visão, no entanto, mais aceita é a que essa religião totalmente brasileira surgiu com Zélio Fernandino de Morais em 1908, quando o jovem médium deu passagem ao caboclo das 7 Encruzilhadas na Federação Espírita de Niterói, e que cuja foi censurada pelo então dirigente da instituição kardecista.

Durante muitos anos a Umbanda seguiu seu caminho, mesclando elementos das tradições africanas, indígenas, kardecistas e católicas criando uma personalidade única e um corpo de saberes altamente complexo e estruturado. Mas sempre era vista com desconfiança pelos espíritas kardecistas que acreditavam ser ela um caminho para a “Terceira Revelação”.

Para muitos médiuns era inconcebível mentores espirituais se apresentarem na forma de pretos velhos, indígenas ou figuras populares.

Antes de buscar conhecer, estudar fundamentos e perguntar, fazia-se , por parte significativa da população, pressuposições muito fora da realidade quando o assunto era a a prática umbandista. Achavam que as oferendas eram porque os guias estavam presos à matéria. Assim como não entendiam que os charutos eram usados para defumação e não para vício

Nos últimos anos, no entanto, a situação parece ter mudado. Ao contrário do que acontecia nas décadas passadas, em que umbandistas migravam para o kardecismo, hoje o caminho é inverso. Muito por conta da busca pelo contato mais direto com a Natureza, mas também por conta de obras que trazem um esclarecimento sobre a convivência harmoniosa e respeitosa do Espiritismo de Kardec com a Umbanda.

No livro de Wanderley Oliveira, Guardiões do Carma- A missão dos exus na Terra,  Maria Modesto explica que cada uma das duas religiões são asas do Consolador Prometido. E que o trabalho de uma complementa o trabalho da outra. Outra obra do mesmo autor, Abraço de Pai João, traz a sabedoria de um mentor que escolhe se apresentar na forma de um preto velho.

Aruanda e Tambores de Angola, de Robson Pinheiro, são leituras obrigatórias para quem deseja melhor entender a Umbanda, na linguagem e percepção kardecista.

Todas as religiões devem ser respeitadas. Não haverá jamais uma única religião no mundo porque a infinidade de diferenças entre os humanos pede formas diferentes de se relacionar com o Sagrado. Mas há algo absoluto, julgar uma crença sem conhece-la a fundo foge de qualquer ética espiritual.

Ricardo Hida, Akindémí

 

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