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fé, espiritualidade e leitura

Crer ou não crer? Sugestão de leitura.

Quem disse que Fé não se discute? Obviamente é um comportamento selvagem brigar por conta de crenças; mas debater, trocar informações e ideias com quem pensa, sente e percebe o mundo de maneira diferente da nossa pode ser um exercício dos mais encantadores.

Na obra “Crer ou não crer”, o historiador ateu Leandro Karnal conversa com o padre católico Fábio de Melo. Engana-se quem pensa que o resultado é troca de insultos ou a vã tentativa de doutrinação mútua. O que se vê, além de muita civilidade, é o interesse verdadeiro em se compreender o outro.

No que crê um ateu? Como lidar com os erros da Igreja? Muitas são as perguntas e surpreendentes as respostas.

As ideias são sofisticadas e o linguajar elegante. Mas longe do  livro ser chato ou esnobe. Os diálogos esbanjam humor inteligente em todos os capítulos e o leitor é convidado a participar de reflexões profundas sobre suas crenças.

O padre se mostra alguém que entende como poucos a dor humana e explica como a fé tornou sua compreensão de vida menos dolorosa. Já Karnal mostra que ética e religião podem sobreviver uma sem a outra.Ele próprio, um ex-católico e seminarista , explica que nem todo aquele que crê em Cristo realmente é cristão. Já o padre mostra que a verdadeira fé exige autoconhecimento e responsabilidade pelos seus atos e como é infantil acreditar que a salvação está apenas na fé ou na negociação com Deus.

Um dos pontos altos da obra é quando os dois falam sobre as crenças do Brasil e como nosso povo chega a ser ingênuo e desrespeitoso com seu próprio Universo Sagrado. Padre Fábio de Melo se pergunta como alguém que crê na Ressureição pode acreditar na reencarnação. Sem julgar, obviamente, quem está certo.

Isso mostra como muita gente esbarra no preconceito ao imaginar que um padre ou um ateu não conheçam a fundo outras religiões. A erudição, assim como a inteligência apurada, de ambos ficam patentes no uso de referências históricas e filosóficas. Para isso o leitor conta com um apêndice que o  situa na conversa e explica personagens, expressões e conceitos religiosos, sociológicos e filosóficos.

A obra é de leitura obrigatória nos dias de hoje e mostra que fé se discute sim, mas sobretudo, se respeita.

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