Fiz 42 e escolhi viver na paz.

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Estou com 42 anos. Segundo a ciência, cheguei na metade de minha vida. Há quem diga que posso passar dos 100. Ou seja, posso ter ainda 58 anos restantes, os últimos possivelmente pouco produtivos.

Olho para os amigos e parentes na mesma faixa etária. Muita gente estressada, preocupada, pessimista. Pessoas procurando novos propósitos na vida ou redimensionando os sonhos porque, ao contrário do que pensavam há 20 anos, certos objetivos possivelmente não se materializarão.

“Coincidentemente” -é lógico que não é coincidência, para quem adora Jung, sincronicidade é tudo- chegou-me às mãos o livro Vida Adulta à Francesa- O que a vida e Paris me ensinaram nos últimos 40 anos, de Pamela Druckerman. Na obra, a autora, com bom -mau- humor tipicamente francês conta como lidou com a chegada aos 40, incluindo a mudança no corpo, nas relações e até na fé.

Assim como eu, ela tem a absoluta certeza que começamos -se bem resolvidos- a ficar bem mais tolerantes e também mais criteriosos nas nossas escolhas.

A questão da morte começa a ficar mais presente em nossas vidas – e não tem ironia na frase. Nossos ídolos, referências intelectuais, avós começam a partir. A gente começa a prestar atenção no legado que podemos ou não deixar, na velhice que queremos e, por isso mesmo, priorizamos o tempo.

Dizem que os 40 são os novos 30. É bem possível. De toda forma, o pique não é mais o que tínhamos aos 20, que hoje são os novos 10. A saúde passa a se tornar algo com que se preocupar.

Daí que se precisa fazer uma escolha. Qual o tipo de vida que vamos construir daqui pra frente? Ainda é possível errar, mas as cartas começam a ser colocadas na mesa e ficar escassas. E a estratégia de vida passa a ser essencial.

Faço parte de uma geração que, provavelmente, não poderá contar com a aposentadoria. Isso nos obriga a criar fontes de renda secundárias e a poupar. Priorizando gastos. E percebemos que acumular tranqueiras só gera estresse. Melhor comprar bem que comprar muito.

Certamente não pretendemos gastar parte da poupança com remédios e tratamentos caríssimos, daí repensar a alimentação, os hábitos sedentários e a tensão emocional é fundamental.

A gente começa a querer de fato aproveitar melhor o tempo com as pessoas. Evitando aquelas que só causam problemas, desgastes emocionais e mágoas e convivendo com aquelas que poderão no futuro rir dos bons momentos passados do presente.

E é aí que entra a paz.

Viver na paz é aceitar que é preciso fazer escolhas, pensando na qualidade de vida no presente e no futuro. Aceitar a paz é tomar decisão de separar o joio do trigo, colocando as ilusões e expectativas que geram tensões no lixo.

É poder gentilmente se afastar de quem quer te ver pra baixo, ou pior, que quer te puxar para baixo.

Nada mais libertador que assumir o controle da sua vida.

Aos 40 não dá mais para acreditar que alguém possa ser responsável pela sua existência a não ser você mesmo. Os outros – inclusive as Forças Superiores- podem e devem ajudar, mas o comando é seu. Da mesma maneira que é preciso estar disponível para ajudar quem precisa, sem tomar a responsabilidade sobre a vida alheia.

Viver na paz é fazer o melhor, escolher o melhor mas também não adoecer se o melhor não chega. É entender que o mundo tem muito mais sutilezas que opiniões, crenças e realidades estratificadas.

Dizem que a vida começa aos 40. Acredito e também acho que isso tudo é a tal maturidade que se espera de quem segue aos 50. Quando chegar lá, escrevo outro texto.

Ricardo Hida, Akindémi.

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