Jainismo: a religião da paz

 

por Giu Soeiro

A Índia é famosa por ser um lugar espiritual e religioso. É o destino de diversas pessoas ao redor do mundo que buscam a peregrinação, a conexão espiritual , o autoconhecimento e desbravar novas culturas. Apesar do hinduísmo ser a religião principal, outras inúmeras são praticadas no país, como o cristianismo, o islamismo, o sikhismo, entre outras.

Uma delas é o Jainismo, embora muito antigo, não é tão popular aqui no Brasil. Fundando por Mahavira (um príncipe), no século VI A.C, que assim como Buda, abandonou sua vida luxuosa e foi em busca elevação espiritual. A religião é seguida por cerca de 4 de milhões de fiéis, e tem como princípios, o respeito a qualquer forma de vida, a prática da não-violência e o desapego com o mundo material. Além de acreditarem no karma, na reencarnação e no samsara.

Por respeitarem toda forma de vida, os jainistas são veganos. Entendem a alma (jiva) como eterna, que pode reencarnar inúmeras vezes, até mesmo em animais. Segundo o jainismo, o universo é eterno e não foi criado por nenhuma divindade.

Da mesma forma que o hinduísmo e o budismo, o jainismo baseia-se na ação e reação, apenas diferenciando que o karma, seria uma substância física que está presente em todo o universo e as partículas dessa essência são atraídas de acordo com nossas ações, pensamento e palavras. Essa matéria se mistura na alma e vai apagando nossa pureza, é uma espécie de poluição, que só pode ser limpa, com a evolução espiritual.

De acordo com os adeptos, os Tirthankaras, são os seres que ensinaram o jainismo ao mundo, através das eras. Os 24 Tirthankaras foram almas nascidas como humanos e que por meio do esforço, alcançaram a libertação (Moksha), a purificação da alma e escaparam do ciclo de reencarnação. Por esta razão, os jainistas reverenciam os tirthankaras e os dedicam estátuas nos templos espalhados pela Índia, que são banhadas com oferendas de flores, mel e arroz.

Os 24 tirthankaras são: Rishabha, Ajitanath, Sambhavanatha, Abhinandananatha, Sumatinatha, Padmaprabha, Chandraprabha, Puspadanta, Sheetalnath, Shreyansanath, Vasupujya, Vimalnatha, Anantnatha, Dharmanath, Santinath, Kunthunath, Munisuvrata, Naminatha, Neninatha, Parshwanath e Mahavira.

Mahavira é tido como o último e o mais importante, sendo os seus ensinamentos base para o jainismo. Vale ressaltar, que não são vistos como divindades, e sim, como inspiração para seus ideais e valores espirituais. Como toda religião, o jainismo possui vertentes radicais, algumas de suas tradições são questionadas no mundo inteiro, como por exemplo, a de jejuar até a morte, visando  quebrar o ciclo de reencarnação por meio da fome.

Existem diversos templos pela Índia, como o Ranakpur, um ponto turístico movimentado, e o Parvanatha, o maior e bem conservado. Uma curiosidade é que todos os templos possuem a suástica, pois para eles, significa bem-estar. Não existem templos jainistas no Brasil e pouquíssimos pelo mundo.

Os principais festivais são: o Paryusana (dia do perdão e jejum), o Kartikka Purnima (celebração do retorno dos monges da peregrinação) e o Mahavira Javanti (nascimento de Mahavira).

Para saber mais:
A religião possui alguns adeptos no Ocidente, porém não é um número expressivo. Assim como os livros que abordam o tema. Listaremos algumas leituras que podem ajudar a saber mais sobre o assunto.

1. O Jainismo- A mais antiga religião viva – Autor: Jyoti Prasad
2. Jainismo: A Liberação pela não violência – Autor: Vitor Hugo Oliveira
3. Jainismo – Vida e obra de Mahavira Vardhamana – Autor: J.C Jain

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